quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncio, Delírio, Segredo e Liberdade

   
"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa


      Uma das facetas do silêncio é quando ele acontece  para nos defendermos da traição das palavras. Sim, traição não pela falta de palavras, mas pelo que elas denunciam, revelam nua e cruamente quando expostas e publicadas. Silêncio do segredo. Há palavras perigosas, que para serem ditas é preciso um intenso delírio de liberdade, espírito aventureiro para encarar o risco do arrependimento. O silêncio, este fruto da falta do mal de liberdade, na verdade, é o silêncio de um ruído ensurdece-dor.
      Pode não se tratar de um segredo autônomamente guardado, mas engaiolado como um pássaro domesticado, que se solto, poderá perder-se num vôo sem rota e sem volta. Enquanto isto, a realidade das grades aguarda que cante, mas sem poder voar, apenas em delírio, alimentando-se de alpiste, para ter a felicidade de uma folha de couve de vez em quando, assim como se animando com a nostálgica brisa de um dia agradável que consegue passar pelas frestas. Um raio de sol realmente vale ouro.

1 comentário:

  1. De uma sensibilidade emocionante...
    escreves livre como um pássaro voando, apesar do vento que determina a rota. Delicada como o orvalho da manhã na pétala da rosa. Mas intensa como uma onda no mar...

    Voltarei sempre!!!

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