sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um Salve (me) para Florbela!


       "Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
       Do que os homens!
Morder  como quem beija!
          É ser mendigo e dar como quem seja
          Rei do Reino de Aquém 

e Alem Dor!
          .............................
          É ter cá dentro um astro que flameja,
       É ter garras e asas de condor!
          .............................
          É ter fome, é ter sede de Infinito!
          ............................
          É condensar o mundo num só grito!
          ............................"          
           

  (Florbela Espanca, que reúne num verso a imensidade!)
            

sábado, 24 de setembro de 2011

#Cartografando uma coisa#

1º dia de primavera#dia de muito trabalho#de hora marcada#faxina adiada#análise remarcada#chuva fina#espera#cigarros#trajetos errantes#bienal#linhas,tracejos e transterritórios#rio guaíba e o frota argentina#magestic#cabeças e chapéus#carne seca com pimenta, café com uísque e chantilly#nariz de palhaço#na116#exaustão#insônia#   

sábado, 17 de setembro de 2011

"Para que te servem estas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve esta cruel boca de fome? Para te morder e para assoprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem estas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir."
LISPECTOR, C. "Os desastres de Sofia"

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncio, Delírio, Segredo e Liberdade

   
"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa


      Uma das facetas do silêncio é quando ele acontece  para nos defendermos da traição das palavras. Sim, traição não pela falta de palavras, mas pelo que elas denunciam, revelam nua e cruamente quando expostas e publicadas. Silêncio do segredo. Há palavras perigosas, que para serem ditas é preciso um intenso delírio de liberdade, espírito aventureiro para encarar o risco do arrependimento. O silêncio, este fruto da falta do mal de liberdade, na verdade, é o silêncio de um ruído ensurdece-dor.
      Pode não se tratar de um segredo autônomamente guardado, mas engaiolado como um pássaro domesticado, que se solto, poderá perder-se num vôo sem rota e sem volta. Enquanto isto, a realidade das grades aguarda que cante, mas sem poder voar, apenas em delírio, alimentando-se de alpiste, para ter a felicidade de uma folha de couve de vez em quando, assim como se animando com a nostálgica brisa de um dia agradável que consegue passar pelas frestas. Um raio de sol realmente vale ouro.